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A primeira fotógrafa na Rolling Stone

terça-feira, 28 de junho de 2011

Linda Eastman (mais tarde, Linda McCartney) fica para a história como a primeira mulher a assinar uma fotografia publicada na Rolling Stone. A foto é de Eric Clapton, foi tirada em Londres e fez capa da edição de 11 de Maio de 1968.



Para além do trabalho desenvolvido nos anos 60 como fotógrafa, Linda viria também a actuar nas áreas da música e do activismo, enquanto defensora dos direitos dos animais. Em 1969 casou-se com Paul McCartney. Linda McCartney morreu em 1998, três anos depois de lhe ter sido diagnosticado um cancro na mama.

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Residência Groovie Records: o balanço.

domingo, 26 de junho de 2011

Encerrou ontem a residência da Groovie Records no Atelier Real, dedicado à História do Rock'n Roll em Portugal. Estive presente em 4 dos 5 encontros que aconteceram ao longo dos últimos 9 dias e são várias as palavras que me ocorrem, ao fazer o balanço desta experiência. Ora então vamos lá:

Conhecimento
Mais do que um mero evento dedicado à música, esta foi uma experiência de aprendizagem. Não só da génese e evolução do Rock feito em Portugal, falou-se também de design e Arte, de jornalismo musical, dos movimentos underground, da nossa história política e social. Ali, naquela sala, aconteceu aquilo que permite uma sociedade evoluir: a transmissão de Conhecimento, acerca a sua própria identidade.

Partilha
Sem quaisquer poses académicas, esta passagem de conhecimento fez-se com um espírito genuíno de partilha. Uma parte tão importante do nosso passado foi ali revelada, pudemos ouvi-la, vê-la e tocá-la. Sem filtros nem redomas de vidro. É de louvar, a generosidade da Groovie Records e de todos os convidados que passaram pela mesa redonda.

Gratidão
Ao acto de partilha, junta-se um sentimento de profunda gratidão. Pelas histórias contadas na primeira pessoa, por protagonistas que ali estiveram (Carlos Zíngaro, Franjas, João Pedro). Pela oportunidade de ouvir a música saída do vinil, de tocar e observar de perto verdadeiros tesouros - como os acetatos originais da capa do mítico Dos Benefícios Dum Vendido No Reino Dos Bonifácios, ou os exemplares do Onda Pop (primeiro jornal português sobre música rock), tão generosamente trazidos pelo Carlos Zíngaro e pelo João Paulo, respectivamente. Pelo visionamento de imagens não editadas da última entrevista de Joaquim Costa, figura pioneira do rock português e votada ao esquecimento.

Pioneiro / Sem Precedentes
Nunca ninguém fez isto. Passaram mais de cinquenta anos e nunca ninguém, neste país, reuniu esforços para investigar sobre esta matéria, empreender um trabalho de recolha, recuperação e catalogação, pesquisa e investigação, torná-o público, devolvê-lo a todos nós, seus legítimos herdeiros. Trata-se, aqui, de traçar a linha que define a história do Rock português e que se apagou da mente colectiva dos portugueses. Um grupo de pessoas está finalmente a fazê-lo. Infelizmente, o projecto tem de ser apelidado de "pioneiro" e "sem precedentes". Digo "infelizmente", pois já lá vão cinco décadas. Obrigado, Groovie Records.

Frustração / Revolta
Não só pelo que foi dito no tópico anterior, mas principalmente pelo total desprezo de que esta residência foi alvo, por parte dos meios de comunicação social portugueses. Falei com os organizadores e eles cumpriram a sua parte. Um dos jornais diários mais importantes da praça chegou mesmo a assegurar uma notícia, mas de boas intenções está o Inferno cheio. Esta semana, dei por mim numa troca de emails com uma jornalista de um conhecido magazine cultural, exibido na televisão, a quem mostrei a minha indignação.
Nem um - repito, nem um - jornalista esteve presente em nenhum - repito, nenhum - dos encontros. Se não fosse o cartaz que vi à porta do meu local de trabalho, nunca teria sabido disto. Contou-se pelos dedos, o número de pessoas na assistência; no último dia, o número de intervenientes da residência era superior ao dos que assistiam.
Sinto-me frustrado e revoltado, por ver-me metido num país em que o actual "jornalismo musical" (tal como as grandes "editoras de música") funciona para fazer dinheiro, praticar o triste favoritismo à portuguesa e perpetuar um elitismo deprimente, ao invés de educar as massas e divulgar o nosso património.

Escolhi propositadamente este como o último tópico do balanço, para que fiquem com ele no pensamento. Partilharei as valiosas descobertas deste encontro num futuro próximo.

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Em discurso directo na LeCool: Groovie Records (Parte II)

quinta-feira, 23 de junho de 2011


Segue a todo o gás, a residência da Groovie Records no Atelier Real. Eu que já lá estive e quero o vosso bem, uma coisa vos garanto: estamos perante um acontecimento raro e sem precendentes, pois tenta-se reconstituir (digo mesmo "salvar") o fio da História do Rock'n Roll e seus movimentos underground, em Portugal. Melhor ainda, ouve-se a própria música, saída do vinil. Esta 5ª feira, fala-se da sua relação com o Design, através das capas de discos e dos cartazes de concertos made in Pt, desde os anos 60 até hoje. Estarão lá músicos e ilustradores (entre os quais Carlos Zíngaro, autor da capa do mítico "Dos Benefícios Dum Vendido no Reino Dos Bonifácios"), designers e artistas visuais, coleccionadores e investigadores, as capas e os cartazes, nós e a paixão que nos une a todos: a Música, senhores!

Rui Clemente

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Mesa de Mistura | Emissão 12

quarta-feira, 22 de junho de 2011


Especial Verão




Ella Fitzgerald & Louis Armstrong - Summertime
Blondie - The Tide Is High
Lena D'Água - Dou-te Um Doce
Sly And The Family Stone - Hot Fun In The Summertime
The Smiths - The Boy With The Thorn In His Side
Rádio Macau - Bom Dia Lisboa
Lovin' Spoonful - Summer In The City
Radar Kadafi - 40 Graus à Sombra
Serge Gainsbourg - Sea, Sex & Sun (Demon Ritchie Remix)
Laid Back - Sunshine Reggae (Funkstar De Luxe Remix)
Natércia Barreto - Óculos de Sol
Zeca do Rock - Twist Para Dois
Manuela Moura Guedes - Cocktail-Party
Aquaparque - Para Além do Bronze
El Guincho - Bombay
António Variações - Onda-Morna

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Residência Groovie Records: o arranque, logo à noite

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Long Session
Com Edgar Raposo e Luís Futre
Hoje, 22h00-00h30
Atelier Real
Rua Poço dos Negros, 55

«O princípio da ‘Long Session’ consiste numa battle dialéctica entre dois DJ’s à volta do repertório da música Rock portuguesa entre 1958 e 1981. Numa dinâmica de respostas sucessivas, os DJ’s comentam cada disco relatando a sua importância musical ou social, contando pequenas histórias ligadas às suas condições de gravação ou de produção.»

Lá estarei, logo à noite.
Prometo contar-vos tudo tudo, aqui em Casa.

Fonte: GHOST.pt

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Mais sobre a residência da Groovie Records...

... nas palavras do seu fundador, Edgar Raposo:

«Esta residência é importante para passar a editora para fora de um núcleo de pessoas e de um meio cultural que eu também considero estanque, infelizmente.

Penso que a residência pode ajudar a alargar a concepção que se tem da editora, não limitá-la a essa coisa do Rock’n Roll. Que trabalha com assuntos culturais, com a história das artes plásticas, do vídeo, da música.

O trabalho de investigação não é mais do que antropologia, sociologia. Não se trata só de Rock’n Roll, trata-se de construir uma história que foi apagada e que é necessário ser contada, claro, através da música. É uma questão política, também. Continuo a pensar que essas pessoas tiveram uma grande importância no que foi a revolução do 25 de Abril. Porque o que mudou a consciência das pessoas foram os movimentos culturais, não foi a polícia, não foram os militares. Quando os tanques chegaram ao Largo do Carmo, a consciência das pessoas já estava feita. A mentalidade das pessoas sobre o sistema político já estava feita, já sabiam o que é que queriam. E isso foi construído por a juventude da época, foram estas pessoas que lutaram, com as armas que tinham e contra o sistema que existia na altura.»

(à conversa no Atelier Real, Lisboa, 7 de Abril de 2011).

Fonte: GHOST.pt

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A história do Rock em Portugal, oferecida de bandeja...


Bendito aquele micro-segundo em que, na manhã de 3ª feira, o meu olhar foi atraído por um cartaz que estava pendurado à porta do local de trabalho. Quando li o título, deixei sair um "Eh lá! O que é isto??":

GHOST apresenta Groovie Records, História do Rock'n Roll em Portugal (1958-1981).

Rezei para que não fosse um daqueles cartazes que ali ficam uma eternidade, meses depois do acontecimento anunciado. Suspirei de alívio (a data: 17 a 25 de Junho) e jurei não perder aquilo, fosse lá o que fosse. Um filme? A apresentação de um livro? Uma conferência?

Entrei em http://www.ghost.pt/ e o meu ritmo cardíaco até acelerou, quando percebi que é muito mais que isso: a convite do projecto GHOST (organizado pelo Atelier Real), a editora independente Groovie Records vai ocupar o espaço na Rua Poço dos Negros, para uma residência de 9 dias. O que ali vai acontecer tem um valor incalculável: a partilha de um extenso trabalho de pesquisa sobre as origens do Rock português - um assunto sobre o qual pouco ou nada se sabe, o que é lamentável, pois estamos a falar de um pedaço da nossa história, não só cultural como sócio-política.

Ora vamos lá puxar pela cabeça: que músicas, bandas ou intérpretes do Portugal pré-anos 70 conhecemos nós, para além dos Sheiks ou outros nomes saídos da boca dos nossos pais (mas que, para nós, não passam de meras abstracções)? Que documentários já vimos ou livros e artigos de imprensa já lemos sobre esta matéria? Conhecem mais alguma coisa produzida no Portugal dos anos 60, para além das músicas que venceram o Festival RTP da Canção ou dos Óculos de Sol da Natércia Barreto? E conseguem, com isso, traçar um continuum - coerente e devidamente encadeado - da evolução da nossa música?

Se a resposta a todas estas perguntas é "sim", parabéns, pois das duas uma: ou são investigadores, ou são aves raras.

Como não sou nem uma coisa nem outra, prevejo aqui um grande acontecimento. Se não, vejamos o que diz a sinopse do projecto, que arranca já esta noite:

«Os anos de trabalho editorial, que alinharam uma série de bandas de rock internacionais num catálogo criterioso e pessoal, correspondem também ao tempo de uma pesquisa que juntou um acervo de peças documentais e empíricas em torno das origens do Rock português - no final dos anos 50 - em pleno Portugal do Império Colonial.
A programação da residência reflecte e desdobra o resultado desta pesquisa histórica e social, num formato permeável ao público, mas sobretudo atento às novas contribuições e actualizações das questões políticas que envolvem a produção de memória e cultura musical.
O acesso e a partilha aberta da música, a festa, os filmes de arquivo, as entrevistas inéditas e as capas de discos, mas também o contacto directo com alguns dos protagonistas resistentes — músicos e outros investigadores — vão ajudar a situar e a dar corpo à experiência desta residência.»

Ainda por cima, não temos que pagar um tostão por isto. Que mais se pode pedir?

Não admira que até o metabolismo tivesse acelerado, nos momentos que se seguiram ao incidente do cartaz. É que estamos "só" a falar da nossa identidade...

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Em discurso directo na LeCool: Groovie Records

quinta-feira, 16 de junho de 2011


Se pensarmos na génese do Rock português, o que encontramos? Para além de nomes que ouvimos da boca dos nossos pais, de alguns hits dos 60 (hoje convertidos em devaneio kitsch) ou dos primeiros abanões punk dos 70, conseguimos nós reproduzir, em HD, a história da nossa própria música? A lacuna é dolorosa. Agora surge uma rara oportunidade, trazida de bandeja. Quem organiza é o projecto GHOST/RE.AL, que convida a editora Groovie Records a fixar-se no Bairro Alto, numa residência de 9 dias que promete ciclos de conversas, o acesso e a partilha aberta da música, filmes de arquivo, capas de discos e a presença de alguns «protagonistas resistentes». O arranque dá-se com uma Long Session, «battle dialéctica» entre os DJ's Edgar Raposo e Luís Futre, em torno do repertório da música Rock portuguesa entre 1958 e 1981. Valioso.

Rui Clemente

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Obrigado, Lamb

Assim que me sentei na cadeira B4 do Grande Auditório e olhei para o palco, caí na real: daí a uma hora, os Lamb iam estar ali, mesmo à minha frente. Fazia agora 10 anos que os vira pela última vez. O fim anunciado em 2004 punha também um ponto final na expectativa de revê-los. A experiência de um concerto dos Lamb era, assim, arrumada no ficheiro das memórias que não se esquecem.

Mas o Universo tem destas coisas: quando não anseias por algo, esse algo acontece. E ali estava eu, contemplando a calma maré de pessoas que iam chegando ao Grande Auditório do CCB, tomando os seus lugares - muitas delas, pensava eu, partilhando da mesma expectativa.

Comprei o bilhete logo em Abril e garanti um lugar quase perfeito: 1ª plateia, 2ª fila, ao centro. A noite prometia.


Depois de aproveitar os minutos a absorver cada detalhe do palco - do microfone, ao centro, ao sintetizador à minha esquerda, do familiar contrabaixo digno de uma mostra de design (que saudades!) à imagem projectada no ecrã (liam-se as letras L, A, M e B, nada mais) - as luzes apagaram-se. Começava a primeira parte, Jay Leighton e uma guitarra, canções simples e melódicas. Confesso que estava impaciente e desejava que o descontraído Jay se despachasse.


Mais alguns minutos de espera e, por fim, o acontecimento. As luzes baixaram, entrou Jon Thorne - em palco, os Lamb sempre foram um trio - e o aplauso aumentou de intensidade, quando avistámos Lou (mais bonita que nunca) e Andy. Os primeiros acordes de Another Language davam início ao (já) emocionante reencontro com Lisboa. Era o novíssimo som de 2011 a saudar-nos - melhor ainda, o novo som que recupera a energia original. Tal como na Aula Magna, dei por mim a lutar contra o estar sentado, o corpo já baloiçava de um lado para o outro, braços e cabeça tentavam extravasar a primeira injecção de adrenalina.




A situação piorou com o clássico Little Things: entrávamos agora em território explosivo, Andy a transformar-se naquele dínamo de energia, eu já a cantar alto e bom som. Como se não bastasse, entrou Lusty e tive vontade de rebentar: é a minha favorita de sempre, para além de ter adquirido toda uma nova dimensão, este ano. Levantei voo, pensei nos tempos áureos da Xis - foi com aquele som que os descobri - e nos novos horizontes do Mesa de Mistura.

A cadeira começava a ser incomportável e, por aquela altura, eu não era o único a senti-lo. Até que, também como na Aula Magna, Lou veio finalmente ao nosso socorro: This one's for all of you to dance, so get up off your seats! Em menos de um segundo, o CCB perdeu a pose e soltou-se com a pujança de Strong The Root e a frescura de Existential Itch. Toda a gente de pé, a dançar.


À medida que a noite avançava, as emoções iam sendo mais nítidas, mais intensas: a névoa do tempo (bolas, há uma década que eu não os via!) dissipava-se cada vez mais, tudo voltava a ser tão familiar: Lou de voz doce, postura serena e sorriso genuíno, Andy totalmente entregue ao momento, ao ritmo e a nós, correndo entre a máquina e a percussão como um puto de 5 anos, puxando pelo público (que saudades da sua comunicação e empatia), pedindo aos técnicos para ligarem as luzes, I wanna see you beautiful faces here tonight! A união dos opostos numa síntese magnífica, o Yin e o Yang, a Terra e o Fogo, a sereia e o cavalo selvagem. Os meus eternos Lamb.


O concerto seguiu com a sensualidade de She Walks... e Gabriel. Será a música que menos ouço dos Lamb (o manistream encarregou-se de desgastá-lo), mas foi certamente um dos momentos altos da noite. Ao vivo, é impossível não nos arrepiarmos. No final, Andy confidenciou-nos algo que me deixou incrédulo: Enquanto tocávamos este tema vieram-me as lágrimas aos olhos, pois apercebi-me que a vida é demasiado curta e acabámos de partilhar um belo momento. Sem palavras.

Da comoção, o retorno à sensualidade com Butterly Effect (brutal! brutal!) e o belíssimo Wise Enough, um apelo à união e ao facto de só estarmos aqui, nesta vida, uma vez. Seguiu-se um momento inédito: Lou de guitarra em punho, a rasgar com o fe-no-me-nal Build a Fire, Lamb em puro estado rock, eu ganhava molas nos pés, o meu corpo era a própria batida.



Por fim... Górecki. Difícil de reproduzir via palavra. O CCB ao rubro, cantando em uníssono, a união total, pessoas emocionadas, indescritível. Como se não bastasse, preparando-se para aquela sequência brutal de percussão, Andy pegou num tambor e correu para a frente do palco... mesmo à nossa frente. Luzes acesas para que ele nos visse, um solo impressionante de beats, eu seguia os seus movimentos com os braços, usando a cadeira à minha frente como o meu tambor. No meio daquela erupção rítmica, por breves instantes, ele fixou o olhar em mim, ele com o seu tambor, eu com a minha cadeira, ele a lançar-me um sorriso cúmplice (estou a ver o que estás a fazer), eu a sorrir-lhe de volta. A minha jam session de breves segundos com Andy Barlow. Nunca mais me vou esquecer disto.

Górecki terminava e a salva de palmas não podia ser maior. O sentimento de gratidão atravessava a sala. Eu só gritava Thank you! Eles, visivelmente emocionados, agradeciam-nos também. Andy pegou nas suas baquetas e ofereceu-as a duas pessoas no público. E saíam de cena. O Grande Auditório estava em êxtase. Não conseguíamos deixar de aplaudir, de chamar pelo encore.

Claro, eles voltaram. E ofereceram-nos o eterno What Sound. Que som, meu Deus, que som! No final, Lou juntou-se a Andy para um dueto de percussão, era a celebração da essência dos Lamb: the beats!


Andy aproveitou o momento para novo agradecimento e novo gesto inesperado: pegou numa máquina fotográfica, empoleirou-se numa coluna e tirou-nos uma fotografia! Todos de braço no ar, sorrisos rasgados, que mais poderia acontecer? Andy olhou para a máquina e disse: Esta não saiu muito bem... vá, vamos tirar outra! Estávamos rendidos, absolutamente rendidos àquele gajo.

De seguida, Lou pediu o nosso silêncio, a nossa atenção. Ia contar-nos uma história. Num gesto de reverência e respeito, acalmámo-nos, o silêncio absoluto. One day, something so magical fell from the sky... Céus, eu estava a ouvir The Spectacle, tão recente mas logo eleita uma das minhas músicas favoritas dos Lamb. Durante 4 minutos, o meu corpo era trespassado por arrepios, um atrás do outro. A performance de Lou foi assombrosa.


O final estava próximo e recebemos nova ordem: All you guys, get close to us! Tal como no início, em menos de um segundo, estávamos a saltar as cadeiras, como que puxados por uma força invisível, mesmo para junto do palco. Lou pegava novamente na guitarra e adivinhava-se algo grandioso: o mítico TransFattyAcid. Só quem esteve lá, consegue perceber o que foi aquilo. O CCB transformado em rave party, a explosão final de energia, o supremo regresso à origem dos Lamb, o passado tornado presente, a celebração total, o clímax. A despedida.


As luzes acenderam e sabíamos que o espectáculo era dado por terminado - de vez. Mas o êxtase geral não deixava o público parar de bater palmas. Algumas pessoas começavam a sair, mas a grande maioria (e digo "grande", mesmo) não se demovia de chamá-los. A noite tinha sido boa demais para terminar ali. Um técnico espreitou para o palco, as palmas cresceram, seriam eles? Não conseguíamos sair dali, ponto final. A música de fundo - que convida as pessoas a sair - começou a tocar, mas em vez de saírmos, acompanhámos o ritmo com as palmas. Olhei para a minha volta e as pessoas sorriam, dançavam. Estávamos felizes. Que noite.

O técnico principal entrou no palco, ainda achámos que o impossível ia acontecer, mas ele gesticulou um Não... sorry folks, vamos é começar a desmontar. Não senti nem um pingo de descontentamento, por termos falhado a proeza. Muito pelo contrário, subi o corredor do Grande Auditório, em direcção à saída, a sentir-me cheio.

Lá fora, a noite não podia estar mais calma, a temperatura perfeita. Regressei a casa com a sensação de que tinha vivido uma experiência... de regresso a Casa.

Thank you ever so much, Lou. Thank you ever so much, Andy.


Photo credits: Imagem do Som, Ana Gonçalves, Manuel Lino.

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Banda de culto

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Posso afirmá-lo com propriedade: se há projecto que defino como "banda de culto", esse dá pelo nome de Lamb.

Descobri-os em 1996, nos dias da mítica XFM, e foi ao som de Lusty e Cotton Wool que se deu a tal alquimia espontânea. Um processo que acontecia entre tantos outros na imensa minoria lisboeta que, tal como a Xis, elevava a dupla de Manchester a estatuto de banda-fétiche.

Lembro-me de ouvir o primeiro álbum vezes sem conta e imaginar como seria a força daquele som em palco. O destino tratou disso e, depois de ter perdido a primeira visita a Lisboa (em 1997), não me passaria pela cabeça perder a segunda vez.


A noite de 24 de Novembro de 1999 ficaria para sempre como um dos episódios mais intimistas, na minha história como espectador de concertos. Não só pelo espectáculo em si, mas por ter sido o primeiro concerto a que assisti sozinho, nos meus 22 anos. Naquela noite, parecia não haver mais nada: só eu e eles. Só eu e a magia daquela música, agora materializada, só eu e a energia incrível de Andy Barlow (nunca tinha visto nada assim), só eu e a doçura de Lou Rhodes. Aí, tive noção de que os Lamb eram especiais na minha vida. Lembro-me de estar na estação da Cidade Universitária, a caminho de casa, e sentir-me atordoado com tudo o que ali se passara, na Aula Magna.

"Irrepetível", pensava eu. Pois estava enganado. Dois anos e uma semana depois, a 4 de Dezembro de 2001, naquele mesmíssimo lugar, Lou e Andy traziam-nos What Sound. Se a experiência anterior marcou-me pelo carácter intimista, esta impressionou pelo oposto: perante uma sala cheia, os Lamb conheciam a apoteose, a Aula Magna rendia-se, algo mágico - e raro - acontecia: a fusão total entre músicos, música e público. Uma experiência que ficaria para sempre na memória de todos os que ali estiveram.


A relação dos Lamb com Portugal era um dado assente, com novas visitas a Vilar de Mouros (2002) e ao Pavilhão Atlântico (2003). «As pessoas em Portugal sentem mesmo a música. Há uma sinergia, uma química entre nós e Portugal. Há algo de especial que acontece (...), algo no coração dos portugueses e no coração dos Lamb que nos une», declarou Lou Rhodes, por ocasião da visita seguinte, para um espectáculo na Queima das Fitas do Porto, em Maio de 2004. A minha ausência do País impediu-me de assistir àquele que, inesperadamente, viria a ser conhecido como o último concerto da dupla no nosso país. Em Setembro, era anunciado o fim do projecto. Uma imensa minoria ficava órfã.

Sete anos depois, o inesperado voltava a acontecer: os Lamb regressavam à música... e a Portugal.

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Partilha, alquimia e supernovas

Uma das coisas mais bonitas que ocorrem nisto de gostar música é o acto da partilha. Quem de nós não chegou até um intérprete, banda ou compositor, através de um amigo, companheiro, familiar ou simples conhecido? O nosso universo musical expande-se e àquela supernova ficará sempre associada a pessoa que a desencadeou - ou não fosse a música uma experiência emocional.

Por outro lado, há as supernovas que acontecem por magia, em actos espontâneos. Não está ali ninguém, apenas nós e a música. Sem darmos conta, dá-se o processo alquímico, que se sente no nosso corpo através de um "É pá, o que é isto?". Aquela força magnética dá lugar à curiosidade de conhecer mais e ao desejo de repetir a sensação. Só não conseguimos explicar porquê. Aliás, os mecanismos que operam neste processo permanecem um mistério. Ou não fosse a música uma experiência espiritual...

Nota: comecei a escrever isto como introdução para o relato do concerto dos Lamb, mas a ideia acabou por ganhar vida própria.

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Em discurso directo na LeCool: Lamb

quinta-feira, 9 de junho de 2011


"Lou, dá-me uma boa razão por que não deveríamos gravar um novo álbum", disse Andy Barlow ao telefone. Do outro lado, Lou Rhodes não conseguiu responder e eis o inesperado: os Lamb estão de regresso, sete anos depois da notícia que entristeceu uma imensa minoria. Quem tem boa memória, sabe como eles foram fundamentais na alvorada do trip hop (esqueçam Gabriel, ouçam Cotton Wool ou Alien) e não esquece os míticos concertos em Portugal. Eles também não nos esqueceram e vêm até Lisboa para apresentar "5" no CCB. Como se não bastasse, nessa tarde estarão na Fnac do Colombo, para um generosíssimo showcase. Foram os Lamb que me deram a conhecer um admirável mundo (outrora novo) onde o breakbeat, o drum'n'bass e o dub se fundem com o jazz e o acústico, em harmonias sublimes. Devo-lhes a minha presença, neste reencontro.

Por: Rui Clemente

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Mesa de Mistura | Emissão 11

quarta-feira, 8 de junho de 2011





Heróis do Mar - Volta P'ra Mim
TV on The Radio - Crying
Roxy Music - Angel Eyes
David Bowie - Fashion
Duran Duran - Skin Trade
Vanity 6 - Nasty Girl
Junior Boys - Hazel
Zoot Woman - It's Automatic
Empire of The Sun - Walking On a Dream
Prince - Scandalous
Kate Bush - Song of Solomon
Serge Gainsbourg - Ballade de Melody Nelson
Danger Mouse & Daniele Luppi - Season's Trees (feat. Norah Jones)

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Primeiro pensamento, depois do fim

quarta-feira, 1 de junho de 2011

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Uma das experiências mais memoráveis que já vivi.

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