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Record Store Day @ Flur

sábado, 28 de abril de 2012

Todos os anos, ao terceiro Sábado de Abril, centenas de lojas de discos independentes reúnem-se por todo o mundo, para mostrar que a música vai para além dos ipods e das grandes superfícies comerciais. Mais uma vez, Portugal esteve incluído no cartaz das celebrações do Record Store Day, que se assinalou na semana passada. Estivemos na Flur, onde a música e o carinho dos seus apreciadores fizeram esquecer um dia de céu cinzento.

O desastre foi de tal maneira determinante que Rodrigo nunca mais se esqueceu da data: 31 de Dezembro de 2008. O dia em que, no seu quarto, tropeçou num emaranhado de fios, viu o computador voar em direcção ao chão e, como se não bastasse, pisou o rato. "Sem querer, liguei o 'beat grid' e assustei-me. Comecei a ouvir um som estranho e descontrolado... mas espectacular." Nessa altura, o jovem de 15 anos já fazia experiências de música no seu quarto, por puro gosto. O acidente gerou uma curiosidade ainda maior. Começou a ouvir mais música, a estar mais atento, a frequentar lojas de discos. Uma delas foi a Flur, em Lisboa. Destino de eleição para os amantes da música electrónica e de dança, logo se tornou na sua loja favorita. A razão é simples: "Tem música que não se encontra em mais lado nenhum. É uma loja única."

Quando esteve presente no primeiro Record Store Day em que a Flur participou (em 2009), Rodrigo nem sequer sonhava que o seu nome viesse a fazer parte da programação do mesmo evento, três anos mais tarde. Agora com 18 anos e um brilho nos olhos, mostra-se incrédulo: "É surreal. Não sei o que se está a passar aqui." Com o título S/P, o EP de estreia de Rodrigo Cotrim foi um dos lançamentos exclusivos da Flur no Record Store Day 2012, que decorreu no Sábado, dia 21 de Abril.

Pelo quarto ano consecutivo, o espaço de Santa Apolónia juntou-se às centenas de lojas de discos independentes que, por todo o mundo, celebraram a arte da música. Efectivamente, quem entrou na Flur nesse dia, percebeu que este foi um Sábado atípico: mais pessoas a circular, discos a preços especiais, uma equipa de reportagem da RTP, lançamentos exclusivos (a par do EP de Rodrigo Cotrim, destacou-se a compilação Lisbon Bass) e um programa de concertos.


Pouco depois das 16 horas, enquanto um jovem manejava o gira-discos perscrutando um vinil de música house e um homem se dirigia ao balcão com um CD de Patrick Watson, o interior da loja foi invadido pelo dedilhar da guitarra de Tó Trips. A arte da música passou a manifestar-se em tempo real, na forma de quatro novos temas a solo do ex-Lulu Blind, actual Dead Combo. Ali mesmo, numa loja de discos, à disposição de qualquer um. "Já tive oportunidade de trabalhar com profissionais ligados à música e noto uma grande diferença, em comparação com os das artes performativas", afirmou Margarida Lopes (34 anos), programadora na área da Dança Contemporânea. "Esta diferença está no gosto pela partilha. O pessoal da música não se coloca em primeiro lugar, não há interferências de ego. Sempre que trabalho com eles, é um descanso. Tudo flui. Acho que o Record Store Day é uma excelente oportunidade para vasculhar a loja e aproveitar uma tarde onde tens este espaço magnífico, esta vista magnífica, estas propostas. É um luxo."


Finda a partilha de Tó Trips, com o Tejo ao fundo do corredor, a música saiu lá para fora. Na esplanada do restaurante Bica do Sapato, um palco improvisado acolheu o showcase da editora Cafetra. Rock de garagem, irreverência e uma média de idades que (no palco e em quase metade da audiência) não ultrapassava os 20 anos, tomaram conta do espaço com as actuações dos 100 Leio, Ème, Go Suck A Fuck e Smiley Face. Um banho de sangue novo, com alguns pingos de chuva à mistura, que encerrou com a energia contagiante das Pega Monstro (duas irmãs, guitarra e bateria apenas), à qual ninguém ficou indiferente.


A tarde terminou com um sorriso na expressão dos presentes e a sensação de "missão cumprida" por parte de Zé Moura, um dos responsáveis da Flur. "Não fazia a mínima ideia de como ia correr. Com a dita crise, a cada ano que passa, espero cada vez menos." Fosse a crise ou a ameaça de chuva, é certo que a afluência de pessoas este ano foi significativamente menor. "Mesmo assim", refere Zé Moura, "o dia foi muito bom, quanto a vendas. Melhor do que qualquer Sábado normal. Apesar de não ter vindo muita gente, estou muito satisfeito." Uma satisfação que não dependeu apenas dos números, mas essencialmente do espírito que na sua loja se fez sentir: "Notei que, este ano, houve gente mais interessada. Houve mais carinho".

Poucos minutos depois, enquanto o palco era desmontado lá fora, ouvimos a voz do jovem Rodrigo Cotrim: "Pessoal, trouxe um bolo que fiz em casa! Venham comer!"

http://www.flur.pt/
http://www.recordstoreday.com/

Reportagem realizada no âmbito do curso de Jornalismo e Crítica Musical (ETIC).

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Record Store Day Lx: o balanço

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Sem dúvida, um dia diferente de tantos outros que passam por nós. No Sábado, o Sol primaveril abraçou a menina Lisboa, na rua andou-se de t-shirt e óculos escuros e quatro lojas de discos em Lisboa viveram um clima de festa, na celebração do Record Store Day.

Tive a oportunidade de parar em duas (Flur e Carbono) e saborear ambientes tão especiais. Um entra-e-sai de pessoas, conversas sobre música, dedos a percorrer discos de vinil, olhos a perscrutar contracapas de CDs, exemplares a ser enfiados em sacos ao balcão, máquinas fotográficas em punho, "vamos tomar um café ali ao lado e já voltamos".

Melhor, só mesmo com mais gente. Mas estou seguro de que o Record Store Day não passou despercebido no pulsar da cidade, naquela tarde de Sábado.

Para o ano, há mais. Até lá, continuarão as visitas frequentes, pois então.

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O Casa na LeCool

sexta-feira, 15 de abril de 2011

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Record Store Day 2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

É já este Sábado (16 de Abril) que se comemora o Record Store Day, iniciativa criada em 2007 nos EUA, com o propósito de «celebrar a arte da música».

Numa época em que a música perdeu a sua dimensão física, também ela uma parte importante da experiência (há quanto tempo não pega num CD ou num vinil?), o Record Store Day procura reanimar espaços que caíram no esquecimento e que, outrora, foram verdadeiros santuários no culto da música:
as lojas de discos.

Portugal está no mapa das comemorações deste dia tão especial: 11 lojas independentes, entre Lisboa, Porto, Aveiro e Coimbra, estão associadas ao evento. Eis o programa das festas para o Record Store Day 2011, em terras lusas:

Lisboa

Flur
Uma exposição de capas de discos da colecção de Rui Miguel Abreu e concertos de Tiago Sousa, June, Niagara, Afonso Pais e JP Simões são as propostas da loja de Santa Apolónia. Ao balcão, a atender os clientes, estarão alguns convidados especiais, entre os quais Rui Pregal da Cunha e Rui Vargas. DJs, promoções e lançamentos estão também agendados para este dia.

Louie Louie
A loja da Rua da Trindade será local para o lançamento de Deliverance, o novo disco dos Stealing Orchestra, Deliverance, bem como da reedição remasterizada de Free Pop, álbum de estreia dos Pop dell'Arte. João Peste e restantes membros da banda estarão presentes, para apresentar este projecto de reedição, numa colaboração entre a Ama Romanta e a Louie Louie.

Carbono
Uma dupla comemoração, já que a loja da antiga Portugália, agora Rua do Telhal, irá soprar 18 velas. Cada compra dará direito a uma rifa, que por sua vez trará perguntas de um quiz musical, que por sua vez habilita os clientes a ganhar um de 18 prémios. E quem se apresentar com uma t-shirt da loja, tem direito a 20% de desconto.

Trem Azul
Dois concertos de música improvisada assinalam esta efeméride na loja de jazz à Rua do Alecrim, com os duetos de Luís Lopes (guitarra) e Pedro Sousa (saxofone tenor) e de Rodrigo Pinheiro (piano) e Miguel Mira (violoncelo). Haverá também descontos de 20%.

Porto

Jo Jo's
Uma mão-cheia de concertos, é o que oferece a loja da Cedofeita neste dia. The Glockenwise, The Partisan Seed, Nuno Prata, os Lufa-Lufa, os Long Way to Alaska e os Botswana são os convidados especiais. Ao comando do gira-discos estarão representantes das editoras Lovers & Lollypops e da Lebensstrasse.

Aveiro e Coimbra
A Wah Wah (Aveiro) e a Quebra Orelha (Coimbra) também se vestem de gala para este dia.

Lá fora

A nível internacional, o Record Store Day será assinalado com vários lançamentos especiais, muitos deles em edições em vinil de sete polegadas:

- os Radiohead vão editar um vinil com dois temas inéditos;
- será reeditado um EP-raridade dos Nirvana;
- os Beastie Boys lançam o single Make Some Noise, que antecipa o novo álbum a sair em Maio;
- será editada uma caixa com os primeiros álbuns dos Flaming Lips;
- os Foo Fighters disponibilizarão um álbum de versões;
- os Kings of Leon lançam também um EP.

O evento mais esperado acontecerá em Nashville, nos EUA, no espaço da editora Third Man Records (de Jack White, dos recém-extintos White Stripes): um concerto da lenda do rock n'roll Jerry Lee Lewis. A actuação será gravada directamente para cassete e registada posteriormente em vinil, para finalmente ser editada com o selo da Third Man Records.

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