Record Store Day 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
É já este Sábado (16 de Abril) que se comemora o Record Store Day, iniciativa criada em 2007 nos EUA, com o propósito de «celebrar a arte da música».
Numa época em que a música perdeu a sua dimensão física, também ela uma parte importante da experiência (há quanto tempo não pega num CD ou num vinil?), o Record Store Day procura reanimar espaços que caíram no esquecimento e que, outrora, foram verdadeiros santuários no culto da música:
as lojas de discos.
Portugal está no mapa das comemorações deste dia tão especial: 11 lojas independentes, entre Lisboa, Porto, Aveiro e Coimbra, estão associadas ao evento. Eis o programa das festas para o Record Store Day 2011, em terras lusas:
Lisboa
Flur
Uma exposição de capas de discos da colecção de Rui Miguel Abreu e concertos de Tiago Sousa, June, Niagara, Afonso Pais e JP Simões são as propostas da loja de Santa Apolónia. Ao balcão, a atender os clientes, estarão alguns convidados especiais, entre os quais Rui Pregal da Cunha e Rui Vargas. DJs, promoções e lançamentos estão também agendados para este dia.
Louie Louie
A loja da Rua da Trindade será local para o lançamento de Deliverance, o novo disco dos Stealing Orchestra, Deliverance, bem como da reedição remasterizada de Free Pop, álbum de estreia dos Pop dell'Arte. João Peste e restantes membros da banda estarão presentes, para apresentar este projecto de reedição, numa colaboração entre a Ama Romanta e a Louie Louie.
Carbono
Uma dupla comemoração, já que a loja da antiga Portugália, agora Rua do Telhal, irá soprar 18 velas. Cada compra dará direito a uma rifa, que por sua vez trará perguntas de um quiz musical, que por sua vez habilita os clientes a ganhar um de 18 prémios. E quem se apresentar com uma t-shirt da loja, tem direito a 20% de desconto.
Trem Azul
Dois concertos de música improvisada assinalam esta efeméride na loja de jazz à Rua do Alecrim, com os duetos de Luís Lopes (guitarra) e Pedro Sousa (saxofone tenor) e de Rodrigo Pinheiro (piano) e Miguel Mira (violoncelo). Haverá também descontos de 20%.
Porto
Jo Jo's
Uma mão-cheia de concertos, é o que oferece a loja da Cedofeita neste dia. The Glockenwise, The Partisan Seed, Nuno Prata, os Lufa-Lufa, os Long Way to Alaska e os Botswana são os convidados especiais. Ao comando do gira-discos estarão representantes das editoras Lovers & Lollypops e da Lebensstrasse.
Aveiro e Coimbra
A Wah Wah (Aveiro) e a Quebra Orelha (Coimbra) também se vestem de gala para este dia.
Lá fora
A nível internacional, o Record Store Day será assinalado com vários lançamentos especiais, muitos deles em edições em vinil de sete polegadas:
- os Radiohead vão editar um vinil com dois temas inéditos;
- será reeditado um EP-raridade dos Nirvana;
- os Beastie Boys lançam o single Make Some Noise, que antecipa o novo álbum a sair em Maio;
- será editada uma caixa com os primeiros álbuns dos Flaming Lips;
- os Foo Fighters disponibilizarão um álbum de versões;
- os Kings of Leon lançam também um EP.
O evento mais esperado acontecerá em Nashville, nos EUA, no espaço da editora Third Man Records (de Jack White, dos recém-extintos White Stripes): um concerto da lenda do rock n'roll Jerry Lee Lewis. A actuação será gravada directamente para cassete e registada posteriormente em vinil, para finalmente ser editada com o selo da Third Man Records.
Mesa de Mistura | Emissão 5
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Kylie Minogue - Speakerphone
Friendly Fires feat. Azari & III - Stay Here
Róisín Murphy - Unlovable
Shannon - Let The Music Play
Sheila E. - A Love Bizarre
Apollonia 6 - Blue Limousine
David Bowie - I'm Afraid Of Americans (V1 Mix)
Nine Inch Nails - Heresy
The Creatures - Exterminating Angel
Bauhaus - Bela Lugosi's Dead
PJ Harvey - The Glorious Land
Jefferson Airplane - Somebody To Love
The Legendary Tigerman feat. Becky Lee - No Way To Leave On A Sunday Night
Sufjan Stevens - Chicago Read more...
Dos Benefícios Dum Vendido no Reino dos Bonifácios
domingo, 10 de abril de 2011

Dos Benefícios Dum Vendido No Reino Dos Bonifácios
Banda do Casaco
1975
Polygram / Universal
Vade retro Satanás / T'arrenego Belzebu / Ai Jesus, cruzes canhoto / Lagarto, lagarto, lagarto.
Se há expressões que estão cravadas na medula de Portugal, estas contam-se entre as mais antigas. Se há exemplos em que a música resgatou a matéria primordial lusitana para o contexto contemporâneo, a Banda do Casaco é um dos mais interessantes.
Muito estranhamente, o grupo formado em 1973, por António Pinho e Nuno Rodrigues, acabaria por cair no esquecimento, sendo até posto de parte das habituais colectâneas que documentam o boom do pop-rock português (e que, já agora, acabam por ser um triste "mais do mesmo"). Não percebo porquê.
Porque ao ouvir Dos Benefícios Dum Vendido no Reino dos Bonifácios, o álbum de estreia lançado em 1975, sinto-me na presença de uma obra-prima.
Partindo da história de um homem que vende a sua alma ao Diabo, Dos Benefícios... transpõe a figura do Fausto de Goethe para a realidade portuguesa e faz-nos embarcar numa viagem surrealista, com a sátira político-social a servir de pano de fundo.
Neste empreendimento, o grupo solta o imaginário do folclore português e investe-o de modernidade, através de uma impressionante fusão entre música popular, música medieval e rock progressivo. Tudo isto combinado com um jogo de palavras mordaz, inteligente e profundamente poético. Se Gil Vicente vivesse nos anos 70, teria composto algo assim...
Este é um álbum conceptual, como pouco existem no nosso repertório nacional. Só isto seria suficiente, para torná-lo de conhecimento obrigatório. A sua riqueza não se esgota, contudo, na música. Dos Benefícios... é um trabalho de valor etnográfico - pondo a descoberto as raízes de um Portugal remoto no espaço e no tempo - e artístico - as ilustrações da capa, assinadas por Carlos Zíngaro, são hoje uma referência na Banda Desenhada portuguesa, estando expostas na mostra Tinta Nos Nervos, no Museu Colecção Berardo.
Serão necessários mais motivos para (re)descobrir este disco?...
Dos Benefícios... está em destaque na emissão 4 do Mesa de Mistura.
Mesa de Mistura | Emissão 4
terça-feira, 5 de abril de 2011

Nesta emissão, um manifesto.
Longe de políticas.
Descubram o motivo.
E disfrutem do poder da música.
Imagem roubada à capa de Manifesto (Roxy Music).
Banda do Casaco - Salvé Maravilha
The Gift - Made For You
Discodeine ft. Jarvis Cocker - Synchronize
Beth Ditto - I Wrote The Book
Madonna - Vogue
Charles Wright - Express Yourself
Sly & The Family Stone - Family Affair
Macacos do Chinês - Rolling na Reboleira
Erykah Badu - Window Seat
Visage - The Damned Don't Cry
Depeche Mode - Halo
Banda do Casaco - D'Alma Aviada
Banda do Casaco - A Ladaínha das Comadres
Banda do Casaco - Bonifácios
A «Lisboa» dos Madredeus
domingo, 3 de abril de 2011
Read more...
Lamento
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Read more...
Manifesto contra o esquecimento
É deprimente. Pertenço a um país onde as grandes editoras de música parecem preocupar-se mais com os números que facturam, do que com a celebração da música propriamente dita. Posto isto, é injusto que o acesso a uma parte tão importante do patrímónio musical do meu país dependa, por questões legais, da vontade destas empresas, que infelizmente detêm os direitos sobre criações de valor ímpar.
Falo do nascimento do pop-rock português. Falo de bandas e intérpretes como Lena D'Água, Quarteto 1111, Banda do Casaco, Manuela Moura Guedes, Tantra, Né Ladeiras, Corpo Diplomático e tantos, tantos outros que, nas décadas de 70 e 80, levaram as águas estagnadas da música portuguesa até rios de correntes vibrantes e inovadoras. Cresci com muitos deles, a eles devo a paixão que hoje sinto pela música.
E não são as compilações ao estilo O Melhor dos Anos 80, sempre com os mesmos temas que já ninguém aguenta, que podem colmatar esta lacuna. Já ouvi o Amor dos Heróis do Mar vezes suficientes. Agora quero ouvir o Macau, álbum lançado em 1986 e que está simplesmente desaparecido. Não aprecio a música do José Cid, mas tenho curiosidade em conhecer o som do Quarteto 1111. Conheço e adoro o Foram Cardos, Foram Prosas da Manuela Moura Guedes, mas agora quero explorar Alibi, o único álbum que ela gravou, em parceria com os GNR.
Este último chegou a fazer parte de uma iniciativa louvável, levada a cabo pelos jornalistas Jorge Mourinha e Miguel Francisco Cadete: a colecção Do Tempo do Vinil, projecto de recuperação do espólio pop-rock da Valentim de Carvalho, das últimas 4 décadas. Corria o ano de 2008. Dez anos antes, a então Polygram Portuguesa anunciava um projecto semelhante de reedições em CD. Por duas vezes, parecíamos ver a luz ao fundo do túnel.
Hoje, tentem procurar qualquer um dos CDs da colecção Do Tempo do Vinil. «Indisponível», dizem as bases de dados. Questões de distribuição, antes era a Som Livre, depois a iPlay, agora não se sabe de nada. A Polygram Portuguesa, por seu turno, foi engolida pela Universal. Pois...
Os discos voltaram à escuridão do arquivo-morto e nós, numa ida à secção de Música Portuguesa da Fnac, só conseguimos encontrar fado, música pimba, bandas sonoras de telenovelas e as novidades que se fazem por aí. Escusado será dizer, nada tenho contra isto. Quanto aos clássicos, só mesmo um punhado.
Não quero recorrer a formas ditas "ilícitas" de acesso a música, tão pouco rezar para que apareça qualquer coisa numa loja de discos em 2ª mão. Quero ter a facilidade de me dirigir a qualquer loja e encontrar coisas produzidas no Portugal de 76 ou de 82. É um direito que me assiste. Tão simples quanto isto.




