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O novo significado do vinil

domingo, 20 de novembro de 2011

Nunca me vou esquecer do ano em que tive "a idade de Cristo". Parece mentira, mas foi mesmo um ano de "morte e ressurreição".

Na passada 2ª feira, ao chegar aos 34, tive um aniversário verdadeiramente simbólico. Amigos e colegas de trabalho (e eu próprio, que gosto do conceito de auto-prenda) presentearam-me com um material precioso: o vinil. Mais do que simples plástico e para além de música e história, o vinil, para mim, representa o encontro com o Eu, o caminho, a Grande Roda em movimento. Significados que só aos 33 foram despertados.

É tão certo como estarmos aqui: há um ano atrás, eu não teria tido presentes destes.
Garanto-vos.






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Belisquem-me, por favor!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011


Acabo de saber pelo Facebook que a EMI Portugal vai lançar, já na próxima 2ª feira (21 de Novembro), uma caixa com... TODA a discografia dos Heróis do Mar!!!

Segundo informação divulgada no Palco Principal, este lançamento serve para comemorar o 30º aniversário da estreia dos Heróis do Mar no palco do Rock Rendez-Vous.

Em comunicado, a EMI anuncia que «da primeira à última gravação, todas as músicas publicadas pelos Heróis do Mar estão presentes nesta caixa, que prova a importância da banda num dos períodos mais interessantes da história da música feita em Portugal».

Juntamente com os cinco CDs (quatro para os álbuns de originais e um quinto que reunirá os singles), a caixa Heróis do Mar: 1981/1989 incluirá também um DVD com videoclips e diversas actuações do grupo nos estúdios da RTP.

No momento em que escrevo isto, só consigo elaborar o seguinte pensamento:

Belisquem-me, por favor!

Eis o conteúdo da caixa:

CD 1
Heróis do Mar (LP, Polygram, 1981)

CD 2
Mãe (LP, Polygram, 1983)

CD 3
Macau (LP, EMI, 1986)

CD 4
Heróis do Mar IV (LP, EMI, 1988)

CD 5
Singles 1982 - 1987

DVD
Vídeos 1981 / 1989
1. Saudade (Actuação no programa “Eleições 82”)
2. Brava Dança dos Heróis (Actuação no programa “Passeio dos Alegres”)
3. Amor (Videoclip)
4. Cachopa (Videoclip)
5. Paixão (Videoclip)
6. Só Gosto de Ti (Actuação no programa de fim de ano 84/85)
7. Supersticioso (Videoclip)
8. Alegria (Actuação no programa “Presidenciais 1986“)
9. A Glória do Mundo (Actuação no programa “Presidenciais 1986“)
10. Fado (Actuação no programa “Vivámusica”)
11. O Inventor (Videoclip)
12. Eu Quero (Actuação no programa “Vivámusica”)
13. Café (Actuação no programa “Haja Música”)
14. Galeria de imagens

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Mesa de Mistura | Emissão 21

quarta-feira, 9 de novembro de 2011



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John Maus: O Filho da Synth Pop e a Nova Melancolia

terça-feira, 8 de novembro de 2011

«Ouve John Maus... acho que vais gostar», disse-me o meu novo colega de curso, após as primeiras impressões que começámos a trocar sobre música. Já em casa, bastou ouvir 1 minuto para me sentir imediatamente rendido e perceber que, à minha constelação musical privada, acabava de se juntar uma nova entidade.

A primeira impressão foi a de estar a ouvir Ian Curtis a sair pelas cordas vocais daquele (ainda) estranho e desconhecido personagem, ladeado por uma sinfonia intensa de sintetizadores, tudo aquilo a resultar num som cru, analógico, incrivelmente familiar - eu tinha apenas 3, 4 anos quando a synth pop reinava, na alvorada dos 80.

Embora nostálgico, o som cativou-me, pela forma inteligente como se posiciona na alvorada dos 10. Soa a vintage, mas é brilhante na sua contemporaneidade.

Logo tive de encontrar resposta à pergunta...
Quem é John Maus?


Fiquei a saber que, a par dos estudos em Filosofia e de um doutoramento em Ciência Política, interessou-se por música experimental e performance art, nos tempos de estudante universitário.

Acima de tudo, descobri que nasceu em 1980 (em Austin, Minnesota), o que faz todo o sentido: a synth pop tinha acabado de nascer, também.

Quem sabe, não será essa a explicação para a energia que permeia a música que compõe: melancólica e estilizada, soturna mas com ligeiros pantones pop.

Nada melhor que ler o que diz a própria editora de Maus, Upset The Rhythm:

Born in the decade of synth pop and sharing his birthday with George Frideric Handel, John started making music when Nirvana posters went up on every teenager's wall. It's this curious conflux of influences that partially helps to describe John's music. It's a world where the Germs jam with Jerry Goldsmith, Cabaret Voltaire relocate to Eternia and Josquin des Prez writes a new score for RoboCop. The confrontation of punk, the fleeting poignancy of 80s movie soundtracks, the insistent pulse of Moroder and the spirituality of Medieval and Baroque music all find salvation in John Maus.

Não é de admirar, portanto, uma rendição tão instantânea.


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Mesa de Mistura | Emissão 20

segunda-feira, 31 de outubro de 2011



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Róisín on canvas

sábado, 22 de outubro de 2011

Se queremos música, carregamos no play. Se queremos arte contemporânea, vamos a uma exposição. Mas em 2005 deu-se um interessante - e raro - casamento entre duas linguagens tão distintas como a música electrónica e a pintura, nas capas dos três EPs que assinalaram a estreia de Róisín Murphy a solo.

A ex-Moloko pôs de lado ferramentas como a fotografia ou o design gráfico, tão comuns nestas lides sonoras, e pegou numa das disciplinas visuais mais antigas de sempre, a Pintura a Óleo, para ilustrar a modernidade da nova música que então fazia.

Dizem os relatos que Róisín conheceu o artista plástico Simon Henwood num pub. Henwood, então conhecido pela série de retratos a teenagers Kids Portraits, achou que a ex-vocalista dos Moloko seria um objecto interessante para uma pintura. Na semana seguinte, Henwood deslocou-se à casa de Róisín e, enquanto percorriam o seu guarda-roupa, decidiu vesti-la de lantejoulas. Murphy colocou-se em poses abstractas e acabou por desenvolver uma personagem que o pintor descreveria como "uma diva disco electro pop com um look anos 40".

As obras hiper-realistas que dali resultaram deram origem a uma exposição no The Hospital Club, em Londres, e foram escolhidas para a capa das três edições limitadas (apenas em vinil) do EP intitulado, justamente, Sequins.

Um casamento que se revelou feliz, não só pela qualidade das obras - que viriam a ilustrar também o primeiro album a solo de Róisín, Ruby Blue - como na vida dos dois artistas: actualmente, Róisín Murphy e Simon Henwood estão numa relação e são pais de uma menina de 2 anos.


Sequins #1 (EP, 2005)



Sequins #2 (EP, 2005)



Sequins #3 (EP, 2005)



Ruby Blue (album, 2005)



Sow Into You (single, 2005)



If We're In Love (single, 2005)

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Mesa de Mistura | Emissão 19

quinta-feira, 13 de outubro de 2011




Luomo - Visitor
Dani Siciliano - Slappers
Róisín Murphy - Ruby Blue
Kelley Polar - Ashamed of Myself
NuFrequency ft. Shara Nelson – Go That Deep (Charles Webster Remix)
7 Samurai - The African
Morgan Geist - Detroit
Junior Boys - Bits and Pieces
Giorgio Moroder - First Hand Experience in Second Hand Love
Tosca - Heidi Bruehl (Plant Life's Love Philosophy Remix)
Spacek - Inside
Tricky - Overcome
Luomo - Tessio

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O primeiro disco de Rock Psicadélico em Portugal

domingo, 2 de outubro de 2011



«Depois da pobreza da caótica fase primária em que predominavam as "violas eléctricas", está neste momento a verificar-se uma evolução positiva, com instrumental mais variado (órgão, saxofone, etc) e maior apuramento técnico (melódico, harmónico e rítmico). (...) Essa evolução também se está a verificar entre nós.»

Escrevia assim Luiz Villas-Boas, fundador do Hot Clube de Portugal, na contracapa de Let Me Live My Life, primeiro e único disco dos Jets.

Porquê falar deste EP, editado em 1967 por uma banda de Lisboa que, no ano seguinte, viria a desaparecer? A resposta é simples: este é considerado o primeiro disco de rock psicadélico feito em Portugal.

As palavras de Luiz Villas-Boas iam, portanto, para além da contextualização; anunciavam a viragem que os Jets - «4 jovens universitários e 1 músico» - provocaram na música rock, feita em terras lusas.

Uma das grandes inovações foi o uso do órgão, responsável por uma sonoridade fuzz que não se ouvia em Portugal e que em muito se aproximava de um novo estilo que, três anos antes, emergiu nos EUA e na Grã-Bretanha.

Outra grande marca deixada por Let Me Live My Life está na capa: assinada por Carlos Fernandes, foi a primeira no repertório do pop-rock português a apresentar um grafismo próprio da estética psicadélica.

Os primeiros sinais do psicadelismo em Portugal iam para além do disco per si: os Jets tocavam «a 15 mil escudos por actuação, ao câmbio da época, fora a dormida, alimentação e casa, durante as loucas - porque sexuais - digressões estivais, meridionais, coloridas e extravagantes, com inglesas em desaforos sensoriais», recorda o baterista e líder dos Jets, João Alves da Costa. A banda tinha, até, duas «mentoras sexuais», Liz e Frankie, «introdutoras de afrodisíacos spanish fly, na vivência criativa musical e erótica».

Os Jets eram formados por Ricardo Levy (guitarra ritmo), Júlio Gomes (guitarra solo), Mário Augusto (baixo), João Vidal de Abreu (órgão) e João Alves da Costa (bateria). Criada em 1964, a banda iniciou o seu percurso no movimento Yé Yé, tendo participado no Grande Concurso Yé Yé, que nos anos 60 levou muitas bandas ao Teatro Monumental.

Três anos depois da sua formação, gravaram o seu primeiro EP, fazendo adivinhar um novo rumo na música que faziam. Uma história que ficaria por contar: no ano seguinte, a banda acabou por desfazer-se, devido ao serviço militar. A marca, contudo, ficou.


Fontes:
Nova Vaga, O Rock em Portugal (1955-1974), Edgar Raposo e Luís Futre, ed. Museu Municipal do Montijo, 2008.
Recordando... Os Jets, Aristides Duarte, Jornal Nova Guarda, 2009.


Let Me Live My Life pode ser ouvido na emissão 18 do Mesa de Mistura.

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