A Hora Mágica dos Scissor Sisters
terça-feira, 13 de março de 2012
Incrível: as novidades chegam umas atrás das outras.
Embora soubesse que andavam em estúdio, foi uma surpresa dar de caras com a notícia do novo álbum dos Scissor Sisters, já com título e data marcada.
Anunciado em primeira mão na página do Facebook da banda, Magic Hour será lançado a 28 de Maio; oito dias antes será lançado o novo single Only The Horses, co-produzido por Calvin Harris.
Este é o único avanço no que toca à produção do novo trabalho do grupo de Nova Iorque. Quem sabe se, a julgar pela foto publicada na mesma página, em Fevereiro último, não haverá também um "dedinho" de Mark Ronson e até de Nile Rodgers?
Uma coisa é certa: depois do fenomenal Night Work, as expectativas são grandes.
Fiona Apple, pela própria mão
segunda-feira, 12 de março de 2012
O melhor press release que vi nos últimos tempos: uma foto tirada a um pedaço de papel, escrito à mão por uma caneta púrpura. Circulou na internet, na passada 5ª feira (8 de Março).
A letra é de Fiona Apple, que anuncia assim o seu tão esperado regresso, com uma frase apenas:
The idler wheel is wiser than the driver of the screw and whipping chords will serve you more than ropes will ever do.
Nada mais que o título do (tão pacientemente esperado) novo álbum que, segundo a Pitchfork, verá a luz do dia em Junho. A mesma publicação apresentará Apple daqui a dois dias no festival South By Southwest (em Austin, Texas), num showcase que fará a estreia das novas canções.
Olhando para a frase manuscrita, é inevitável desconfiar - e desejar - o verdadeiro sucessor de When The Pawn...

As primeiras (boas) descobertas de 2012
terça-feira, 6 de março de 2012
Já fazem música há um e dois anos, respectivamente. Mas tal como a árvore que cai na floresta, têm aquele gostinho a brand new. São, por isso, as minhas primeiras grandes descobertas deste ano.
Um é australiano e move-se nos terrenos da Electronica e do Future Beat, arados sob o calor da Soul. Outro é britânico e produz algo ainda difícil de definir - há quem lhe chame Dark Wave e Dubstep, há quem o meta nas "caixinhas" do Shoegaze e do Experimental.
Os nomes: Chet Faker e King Krule.

Mesa de Mistura | Emissão 25
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Mesa de Mistura | Emissão 24
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
O (Meu) Melhor de 2011: 1º Lugar
sábado, 31 de dezembro de 2011
Descalçou os stilettos, despiu o vestido curto, limpou o baton. Desfez-se da imagem de mulher-rock, crua e sexual, acutilante e ameaçadora.
Em 2011, o espanto tomou conta de nós: PJ Harvey emergia, transfigurada em pássaro negro, sobrevoando a Inglaterra e o passado dos homens, observando a morte e a destruição. O apocalipse não será anunciado: está escrito na nossa História, acompanha-nos desde sempre. Será esta a grande mensagem de Let England Shake, para muitos (eu incluído) considerado a grande obra-prima de PJ Harvey e o melhor álbum de 2011.
Assim como Marvin Gaye se transcendeu em What's Going On, PJ Harvey fê-lo neste empreendimento: uma meditação sobre a história e a guerra, o patriotismo e a desilusão. Sobre a humanidade. Encheu-se de coragem e enfrentou uma matéria densa, tão densa como o sangue derramado em All and Everyone ou os corpos desmembrados em The Words That Maketh Murder. Mas dela fez poesia, tão bela como nunca antes tinha feito. Dela fez música, a mais inspiradora e madura que alguma vez produziu. E renovou, em cada um de nós, a fé na criatividade humana.
Costumo pensar que já não se fazem álbuns que ultrapassam o seu tempo e ficam guardados na memória colectiva. Quero acreditar que Let England Shake é uma magnífica excepção. Read more...
O (Meu) Melhor de 2011: 2º Lugar
São os sinais dos tempos: se há cinco décadas atrás, revoluções no mundo da música aconteciam ao ritmo de um punhado de anos, hoje acontecem ao minuto. A proeza, portanto, não estará na manobra revolucionária em si, mas na sua capacidade de deter - nem que por breves instantes - um mundo com déficit de atenção.
Foi isso que James Blake conseguiu fazer em 2011. Não que o seu álbum de estreia homónimo seja pioneiro de um novo estilo de criar canções, por mais que possa parecê-lo. Verdade seja dita, James Blake caminha num trilho desbravado há já uma década, na cena UK Garage do sul de Londres. Por essa altura, na linhagem do house, do drum'n'bass e do dub, nascia uma nova entidade sonora, mais texturada, melancólica e soturna: o dubstep.
O que fez de James Blake, então, um dos álbuns mais aclamados deste ano, a ponto de ser considerado "o som de 2011"?
No meu entender, terá sido a transmutação alquímica que este jovem, com então 22 anos, conseguiu operar, no refúgio da sua casa («All tracks written, performed, produced and recorded at Home»). Pois a partir dos espaços soturnos do dubstep, Blake conseguiu aceder ao espaço mais humano de todos: o da alma. Com as suas mãos, desconstruiu estruturas rítmicas, isolou elementos, separou átomos, chegou ao núcleo do amor, da solidão, do desencanto e da auto-punição. Regressou à superfície e ligou os pedaços com batidas orgânicas, ecos, loops, vocoders, um piano, a emoção antiga da soul, uma voz crua e verdadeira. Deu-lhe sangue e uma respiração irregular, tão irregular quanto as nossas emoções.
Com este álbum - ou antes, com esta manobra revolucionária - fizemos a nossa própria catarse. Blake, ao mesmo tempo, conseguiu vencer o déficit de atenção do mundo, agarrar-lhe na cabeça, olhá-lo nos olhos e dizer-lhe "Pára. Escuta. E sente". Nem que por breves instantes. Read more...







